domingo, 11 de janeiro de 2015

Dentro da cabeça de uma Iniciante em Dança do Ventre e a Baixa Autoestima


Quando comecei a dançar (há um ano) tudo aconteceu tão rápido que não pude duvidar ou dizer não.

Eu já havia feito dança antes por que desde pequena eu gostava de me mexer, e sempre gostei de um exercício físico que me não tivesse um padrão de repetição e que me coloca-se em desafio.

Mas o desafio maior que me fez iniciar as aulas foi um que me assombrava há muito tempo. Na verdade é um fator que assombra a maioria das mulheres... Baixa Autoestima!

Eu fazia aula de dança de salão e sou apaixonada por  SambaRock até hoje ! Mas como psicóloga (que sou) percebi que esta modalidade me deixava na minha zona de conforto. 

Por que com a dança de salão eu tinha um parceiro, no qual eu deveria confiar e obedecer aos passos pedidos, pensando teoricamente sobre isso o indivíduo passa a se apoiar em uma questão externa que lhe garante a segurança necessária para enfrentar aquilo que o desagrada.

Entendam que a Dança de Salão pode sim ser utilizada para fins terapêuticos que trabalhe a confiança, autoestima e inibição, contudo ela trás um caráter grupal, onde na figura do seu parceiro você poderá trabalhar todos estes pontos que descrevi projetando e introjetando a todo tempo e com isso alcançar o entendimento.

No meu caso em específico, cheguei à conclusão que dentro de um grupo e tendo um parceiro para me apoiar não me faria evoluir em minhas questões de baixa autoestima por que era mantida em um grupo de iguais, se eu fosse diferente e resolvesse as minhas questões, não seria mais parte desse grupo eu iria me despontar, então pra sobreviver dentro dele, me mantive igual.

A Dança do Ventre apareceu na minha vida há muito tempo na verdade, desde a novela “O Clone” (parte vergonhosa da Staff) que fiquei encantada com as roupas, acessórios e o poder de sedução que aquelas mulheres tinham ao dançar.

Uma amiga muito próxima da época de faculdade dançava a anos e por ela tive a oportunidade de começar a fazer minhas aulas.

Foi um começo difícil, como fui tratar minha baixa autoestima, me olhar no espelho a cada aula e gostar daquilo que estava vendo, foi um embate singular comigo mesma. E a cada aula eu me perguntava “o que estou fazendo me mexendo dessa forma? O que eu tenho na cabeça?”. 

Quando você pratica um estilo de dança a repetição leva a perfeição, mas essa regra básica é levada a extremos dentro da DV. Ao fazer uma sequencia de passos na Dança de Salão a partir da terceira vez a sequencia flui, isso não acontece em DV! Talvez você leve meses para descobrir que o seu corpo para fazer aquele movimento, precisa de mais um pouco de força, flexionar mais os dos joelhos, de postura... E você vai se encontrando dentro daquele passo, e quando ele esta acomodado dentro de você, ai sim ele flui, e esse tempo é todo seu.

Como havia essa necessidade de me conectar com aquele passo para executa-lo bem, não podia me apoiar em um parceiro por que era eu que tinha que faze-lo, era o meu quadril que tinha que se mexer, era eu que tinha que ter mãos suaves e charmosas, era eu que tinha que olhar no espelho e me gostar.

Fui empoderada de todas as minhas questões sobre minha baixa autoestima, e obtendo o controle sobre ela pude trabalhar como eu quis, em um tempo todo meu. Existe um tempo de acomodação do indivíduo a cerca de suas questões. Trazer a consciência deste indivíduo às questões projetadas dentro de uma dinâmica é a forma que o terapeuta grupal tem de acomoda-las no plano consciente e assim trabalhar durante o tempo da sessão. 

Hoje um ano se passou, sai do Iniciante para o Básico, e ao ver os vídeos de dançarinas que amo não me pergunto mais “Como elas conseguem?” - Mas sim “ Como que eu vou fazer isso?” Por que eu vou! Mais cedo ou mais tarde.

Vocês podem me perguntar “mas Pamela e sua baixa autoestima?” ela continua aqui, me golpeando em alguns dias, me fazendo carinho em outros, mas a diferença é que eu sei que posso molda-la, muda-la e enfrenta-la nos dias mais sombrios por que tenho o instrumento para isso, eu DANÇO.

Então vamos estudar dança?

Até breve Dancers!


Pamela Leonardo








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