sexta-feira, 18 de julho de 2014

Estudo de Bailarinas: Tahia Carioca




Frequentemente chamada de Marylin Monroe do mundo árabe, Badaweya Mohamed Kareem, bailarina egípcia mais conhecida como Tahia Carioca, nasceu no dia 22 de fevereiro no ano de 1919, em Manzala. Logo após seu nascimento, a família da bailarina mudou-se para Ismailia, cidade onde muitos pesquisadores crêem que ela nasceu. Em sua adolescência, ela começou a dançar. Tal como a maioria dos bailarinos, ela inicialmente sofria críticas por parte de sua família e particularmente, Tahia sofreu pela não aceitação dos seus irmãos, super protetores.
Para escapar de seus irmãos, a bailarina deixou sua família e tomou o trem para Cairo.

Mohamed Karim, pai de Tahia, exerceu sobre ela duas influências: seu amor pela arte e em segundo seus vários casamentos. Seu pai casou 7 vezes e mais tarde, Tahia oficialmente dobrou o número de seu pai, casando-se 14 vezes.


No Cairo, Badaweya entrou na escola de Dança e logo se revelou como uma ótima bailarina. Badeia Masabni, uma grande bailarina de dança do ventre na época, professora e proprietária da famosa boate “Cassino Ópera”, ouviu falar desta grande bailarina. Depois que Badeia a viu dançar e cantar, Badaweya entrou no grupo de bailarinos e seu nome foi mudado para Tahia.


Não demorou muito tempo para Tahia fazer sucesso... A multidão amou seu jeito de dançar, a dança fluía naturalmente, os quadris eram suaves e sempre de acordo com a música, algo que os bailarinos gastam anos para dominar. Tahia possuía esse brilho indescritível, que chama a atenção de todos e que nada podem fazer a não ser se perderem na sua dança. Sua popularidade cresceu no clube e ela se tornou a sua atração especial


O que evidenciou sua popularidade no clube noturno foi sua incorporação da dança e música brasileira com seu estilo egípcio, Ela se tornou fascinada pelo ritmo brasileiro e pediu ao seu músico que tocasse algo similar. Tahia trouxe para os seus shows os rítmos latinos. A concorrência no Cabaret de Badia era dura, especialmente contra Samia Gamal que também dançava lá no início de sua carreira. Porém a idéia de incorporar a dança brasileira no seu estilo foi algo tão original, que rapidamente trouxe fama e logo foi batizada mudando seu nome como nós conhecemos e amamos hoje; Tahia Carioca.


Foi no clube noturno da Badeia que Tahia tornou-se amiga da mais jovem bailarina, Samia Gamal. Apesar de ler-mos muito que as duas eram rivais, creio que eram apenas concorrentes por serem tão talentosas e da mesma época. Tahia contribuiu grandemente com Samia, tornando-a uma talentosa bailarina. Esta amizade foi para a vida e durou até Samia morrer. Samia Gamal e Tahya Carioca tiveram muito em comum. Ambas eram oriundas das camadas mais baixas da sociedade. Deixaram seus lares, quando ainda eram adolescentes, para trabalhar no Cassino Opera. E o mais importante, foram pioneiras porque almejavam elevar a dança do leste a uma forma de arte elegante e bonita. Elas tiveram sucesso!


O clube noturno trouxe tanta fama à Tahia, que a conduziu automaticamente ao seu trabalho como atriz. Na época, o entretenimento e a indústria cinematográfica estavam florescendo. Por volta da década de 10, o Egito tinha mais de 155 empresas de produções cinematográficas, e qual foi o tipo de filme mais na procura de público desde o egípcio? O tema mais popular na época era comédia de danças e musicais. Foi o melhor momento para ser uma bailarina, onde o seu trabalho estava em constante procura. Tahia era a melhor, certamente era.
Depois começou a aparecer alguns filmes como apenas uma dançarina, Tahia passou a atuar também. Seu primeiro papel foi atuando uma personagem principal ao lado do famoso comediante Naguib El-Rihani. O filme foi Li'bet Al-Set (Woman's Play,1946).

Foi um brilhante sucesso não apenas para a bilheteria, mas também para Tahia. Seu dom para atuar também tinha sido mostraram ao mundo. Com o sucesso, as ofertas de atuar dançando não pararam de aparecer, Tahia trabalhou em mais de 200 filmes por mais de 50 anos.


Tahia atuou ao lado de grandes estrelas do Egito inclusive sua amiga Samia Gamal e seu amor Farid Al Atrash. Apesar de ter se revelado como uma ótima atriz, Tahia continuou a trabalhar em casas noturnas também porque amava a realização de uma audiência ao vivo, partilho o mesmo amor. Além disso, ela não podia deixar a sua enorme quantidade de fãs e admiradores de lado.

Como já disse antes, Tahia era uma bailarina altamente respeitada, mas este título artístico não significava que sua dança era aceita por todos, principalmente pelos conservadores e religiosos, (como a dança de Mahmod Reda e Farida Fahmi). A dança de Tahia era sexy. Sua figura representava uma dama forte, sexy e inteligente e sua dança muito sedutora.


Nos últimos anos de sua aposentadoria, fez uma peregrinação à Meca e após isso adotou o véu (hijab). A bailarina considerou esse assunto estritamente pessoal, e ao contrário de algumas atrizes que adotaram o véu, nunca renunciou a sua profissão.
Apesar de sua frágil saúde, continuou a ser uma pessoa vivaz, dando entrevistas à imprensa, quando sua saúde o permitia.


Apesar dos seus diferentes casamentos, Tahia nunca foi capaz de conceber um filho, no entanto, muito perto de sua morte, um bebê foi deixado em sua porta em 1997, Tahia o acolheu, mas logo a bailarina morreu. Então como Tahia o desejava, o bebê foi acolhido por Fifi Abdou, que tinha imensa admiração e respeito por Tahia, que morreu em 20 de setembro de 1999, ataque cardíaco.
Tahia não afetou apenas a indústria de entretenimento do Egito, ela influenciou o Egito não apenas com a sua dança, mas também com as suas fortes opiniões políticas. Tahia foi presa por três meses em 1953, quando ela expressou o seu apoio a uma pós-revolução de regresso à democracia constitucional, no Egito. Na prisão, ela entrou em greve de fome, encorajando a revolução. Além disso, Tahia lutou na sequência de uma alteração da legislação relativa aos sindicatos, em 1987. A lei era injusta para com os artistas.


Tahia foi tão bem sucedida por uma razão; as pessoas em todo o mundo amavam vê-la dançar, observá-la... Ela trazia-lhes alegria. Tahia não precisam contactos para promover sua carreira; seus quadris fizeram isso por ela. Assistir Tahia dança é tão relaxante porque ela conseguia mostrar a alegria da dança tão evidente nos seus quadris e compartilhar com a platéia. É por isso que ela amou, ela compartilhou sua alegria.
                            
         

                           
                                            


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